sexta-feira, 29 de maio de 2020

LITURGIA em tempo de pandemia

Por: Fr. Alex Assunção

Reza um velho ditado, “só se dá valor quando se perde”. Apoiando-me nesta sabedoria popular gostaria de apresentar uma pequena reflexão sobre o momento que estamos vivendo em nossas comunidades de Fé. Já estamos completando quase três meses que fomos forçados a fechar as portas de nossas Igrejas, interrompendo de forma brusca boa parte de nossas atividades pastorais para tentar conter uma das piores crises sanitárias, sociais e econômicas provocado por um inimigo invisível, o COVID 19. Muitas análises e reflexões virão quando tudo isso passar e sem dúvida iremos tirar boas lições. Este pequeno artigo, quer ser o primeiro de uma série, que serão publicados posteriormente em nosso informativo. Eles trarão algumas reflexões acerca da nossa Experiência de Fé a partir do Mistério Celebrado. Escrevo pensando de maneira especial em nossos irmãos e irmãs que exercem alguma função na Pastoral Litúrgica: Ministros da Palavra, Ministros da Eucaristia, Leitores, Comentaristas, Salmistas, Equipe de Canto e de Acolhida. Porém, o mesmo é extensivo a todos os leitores/as. 

Nesse tempo de isolamento social, tem sido comum pessoas amigas, paroquianos enviarem mensagens, telefonarem para dizer que sentem falta das missas, que tem saudades da vida comunitária e das atividades pastorais, isto muito nos alegra e nos anima. Algumas semanas atrás alguns irmãos nossos, pelo Brasil a fora, chegaram a ensaiar uma campanha nas redes sociais, onde gritavam “nos devolvam a missa”. Isto só vem a confirmar o dito: “só se dá valor quando se perde!” Diante dessa realidade, tenho me perguntado, quantas vezes essa missa que hoje é reivindicada, pelas pessoas, foi trocada por uma partida de futebol, por uma balada, por um passeio? Quantas vezes a missa apenas foi assistida de corpo presente, mas o pensamento estava distante? Quantas vezes membros das Pastorais deixaram de ir à missa, porque não tinha nenhuma função a desempenhar na mesma? Quantas vezes a missa foi planejada “a meu gosto”, transformada em um showzinho, desrespeitando as orientações litúrgicas? Quantas vezes a missa foi apenas um programa social de final de semana? Este tempo de privação da missa presencial pode nos ajudar a dar mais valor a esse dom precioso que é a Eucaristia, que é a Celebração do Dia do Senhor.

Como bem nos ensina o Catecismo da Igreja, a Eucaristia é a fonte e o ápice de toda a vida cristã. Diz ainda que pela Santa Missa, nós nos unimos à Liturgia do céu e antecipamos a eternidade (cf. nº 1326). É um ato de fé, de cumplicidade entre Eu – Deus – Comunidade. É através da Missa que Deus vem de maneira plena ao nosso encontro; e só porque Ele vem até nós, nós podemos ir até Ele. O rito da missa que nós celebramos, que às vezes alguns reclamam que é enfadonho, monótono, não foi inventada ao bel-prazer de um padre ou de um bispo. Tem a sua raiz nas Sagradas Escrituras, ressignificada pelo próprio Jesus (ver. Mt 26, 20. 26-30; 1 Cor 11,23-26). Infelizmente, nem todos ainda têm essa compreensão, até mesmo aqueles e aquelas que ajudam a preparar as liturgias em nossas comunidades. Muitas vezes o mistério cede lugar para ao brio de alguns “litúrgos”, que deveriam ser servos da liturgia (λειτουργία - "serviço público" ou "serviço do culto”). Esse tempo de privação da Missa e da Celebração da Palavra deve nos ajudar a avaliar nossa forma nossa forma de preparar e celebrar a Eucaristia, o Dia do Senhor. 

Logo mais voltaremos a celebrar juntos, quiçá esse tempo que perdemos o direito da missa presencial, tenha nos servido para valorizarmos mais a Santa Missa, a Celebração do Dia do Senhor. Que possa ter ajudado as nossas equipes de liturgia serem mais mistagógicas. Pois como disse certa vez São João Crisóstomo: “não se põe incenso em carvão apagado”. As vezes tenho a impressão que as nossas liturgias são como incenso em carvão apagado! É preciso primeiro acendermos em nós o fogo do Espírito Santo, fazer arder nosso coração, podemos fazer isto com oração pessoal ou comunitariamente através de refrões orantes, mantras, tempo de silêncio. A missa é a hora de colocar o incenso de nossas preces a Deus. É a hora de dizermos “suba minhas orações como incenso em tua presença Senhor” (Sl 141,2).  Até o próximo artigo, onde daremos continuidade a esta reflexão. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Despedida de Manaus - AM

Foto: Arquivo Pascom Arquidiocese de Manaus
Por: Fr. Alex Assunção

Me pediram pra dizer uma palavra de ADEUS, como essa palavra é muito forte e como eu não gosto de despedidas eu quero dizer a vocês, que foram minha família nesses últimos três, anos ATÉ LOGO!

Na última reunião do Conselho de Pastoral, ao anunciar a saída dos franciscanos da Área Missionária, pedi que não tivesse despedidas, que nossa saída fosse discreta, que nosso foco fosse canalizado para a acolhida do novo Pároco. Mas esse pedido “foi como jogar palavras ao vento”.

Então em nome de todos os frades que passaram por aqui, nesses últimos nove anos, quero agradecer a todos vocês pelas palavras e demonstração de gratidão, de carinho, e de amizade, oferecidas nesses últimos dia e hoje aqui nesta celebração. Creio que cada frade do seu jeito viveu intensamente entre vocês. E viver significa encarar a vida como ela é: Com momentos alegrias e tristezas, conquistas e derrotas! Mas o importante é não deixar de viver!

Caríssimo Pe. Francisco eis aqui o teu povo, a tua família a partir de agora, como em qualquer família (digo como bom paraense) tem gente pai-d’égua e gente cheio de pavulagem, mas no geral, são gente muito boa, gente que precisa de teu múnus ENSINAR, SANTIFICAR E GOVERNAR. Temos uma graça especial dentro desta Família, desta CASA, a presença amiga, generosa e orante das nossas queridas irmãs Salesianas e as Irmãs Filhas de Sant’Ana, elas serão uma grande ajuda para ti na vivencia de tua vocação sacerdotal. A CASA (Área Missionária) está dividida em sete cômodos: Comunidade Santa Catarina, Comunidade do Sagrado, Comunidade Santa Clara, Comunidade São Sebastião, Comunidade N. Sra. das Dores, Comunidade São Benedito e Comunidade São Paulo Apóstolo. E tem ainda uma comunidade de Aliança que busca viver a espiritualidade da Santíssima Trindade. Então amigo, terás oito festas para preparar, oito procissão para participar! Pe. Francisco, te desejo do fundo de meu coração, toda felicidade em teu ministério que agora assumes. 

E não posso encerrar essas poucas palavras, sem fazer um agradecimento muito especial a Arquidiocese de Manaus, que tão bem me acolheu nesses três anos, levo comigo a ternura paterna de nosso querido Dom Sérgio, a tua amizade Dom Tadeu, assim como Dom José e do Monsenhor Sabino. Padre Charles (mano Charles) em teu nome quero agradecer cada presbítero de nossa arquidiocese, fui muito feliz entre vocês. Obrigado pela tua amizade e companheirismo. Sentirei saudades de vocês, sentirei saudades de todos vocês (paroquianos), e ao passarem por Boa Vista, já sabem! Vocês tem um compromisso de me visitar. 

Muito Obrigado!!!

                                                                              

terça-feira, 5 de março de 2019

O SÍNODO E A FESTIVIDADES DE SANTA MARIA

Foto: Pedro Edipo Xavier
Por: Fr. Alex Assunção

  A festividade da Comunidade de Pariçó tem como tema, este ano, “Maria, mãe do Criador”. Não imaginávamos quando em 2016, nos reunimos para definir os temas da festa para o triênio 2017-2019, que o Papa Francisco fosse no ano seguinte nos agraciar com a convocação de um Sínodo para Amazônia. Este sínodo tem sido sinal de alegria e de esperança a toda Igreja, sobretudo para nós que formamos a Amazônia. 


A estreita relação entre esses dois eventos dará a nossa festa um sabor todo especial, pois enriquecerá nossa fé e nosso compromisso em defesa da Criação. E ninguém como Maria pode nos ajudar a viver isto.

O Sínodo é uma assembleia dos bispos que se reúnem em torno de um tema ou de um propósito. Esse termo foi usado para identificar os encontros promovidos em decorrência da proposta de Paulo VI, o grande papa que impulsionou a renovação da Igreja, no histórico Concílio do Vaticano II. Os sínodos foram a instância que ele encontrou para levar em frente a proposta daquele Concílio. E hoje o nosso querido Papa Francisco tem utilizado desse mecanismo para nos tornar cada vez mais uma Igreja Sinodal e em saída missionária. 
Para nós amazônidas é mais do que um privilégio a celebração deste encontro sobre a nossa região, é uma “graça”. Naquele dia 15 de outubro de 2017, foi para nós uma grande alegria, o anuncio do Papa Francisco ao iniciar a oração do Angelusdecidi convocar uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica... O objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”.
Deste aquele momento inúmeros encontros de escutas estão acontecendo em toda a Igreja. É a voz da Igreja povo de Deus, falando aos seus pastores. E essas vozes serão refletidas pelos nossos bispos e pelo papa, e no final deste sínodo serão tomadas decisões que podem mudar o futuro de nossa Igreja aqui neste rincão amazônico. Aqui está a beleza de nossa Igreja Sinodal, Una e Católica. 
Esse jeito de ser Igreja têm incomodado os “fariseus” de nosso tempo e o atual governo federal. Recentemente fomos surpreendidos pelas declarações do ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência. O Jornal “Estado de São Paulo” chega a afirmar que a Igreja Católica está sendo espionada pela Agencia Brasileira de Inteligência (ABIN). O  Arcebispo de Manaus, dom Sergio Castriani que é membro da Comissão do Sínodo, assim se posicionou logo após o vazamento desta notícia: “Fiquei surpreso ao saber que a Igreja Católica em Manaus está sob suspeita de estar preparando uma ofensiva contra o governo no Sínodo que vai acontecer em outubro. Ao que tudo indica, as reuniões preparatórias que aconteceram na nossa cidade foram monitoradas pelos órgãos de informação”. 
Essa postura do governo federal só reafirma cada vez mais o quanto devemos defender a criação que Deus nos deu. Que este sínodo possa repercutir no mundo inteiro a importância da missão na Igreja, dos missionários de tantos séculos, mas sobretudo, os atuais, e todo o povo da Amazônia, nós da Igreja no Brasil e dos demais países da Pan-Amazônia”.

Que a nossa festa alimente em nós o ardor missionário e nosso compromisso com a defesa da Criação, pois essa é a melhor maneira de manifestarmos nossa devoção a mãe do Criador.

Uma abençoada festa!!!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Acolhida de Refugiados em Manaus

                                                       Por: Fr. Alex Assunção

Outro dia ao receber a visita de um jornalista em nossa Casa de Acolhida Santa Catarina, fui abordado com a seguinte pergunta: “Frei nos diga como surgiu a ideia da Casa de Acolhida?” Diante da pergunta, fui me dando conta que a casa não surgiu de ideia, de um planejado em escritório, ela surge de um apelo, de um “grito de Jesus Abandonado”, que bateu nossa porta. 

Tudo começou no advento de ano passado (dezembro de 2017), quando nos preparávamos para a festa de Natal. Apenas estava iniciando mais um dia de atendimento paroquial, quando bateu em nossa porta uma senhora grávida falando em Espanhol, procurando pelo “Cura” da paroquia. Tratava-se de dona Eugênia Rodriguez, acompanhada de sua filha Khamile Hhalil. As duas muito assustadas pediam ajuda, pois não sabiam o que fazer diante da ameaça de despejo do quarto onde estavam hospedadas. O desespero da filha em morar na rua junto com seu irmãozinho, Vicenzo Augusto e com a mãe que estava quase completando os dias para dar à luz, tomou conta daquele momento sagrado. Logo a cena nos remeteu a dois mil anos atrás, a cidade de Belém, na Judéia. Maria batendo na porta... Eu sabia que como cristão e humanista, não podia ser indiferente com essa família. Para mim estava claro que era “Ele” (o próprio Jesus) batendo à nossa porta! Não deu outra, em poucos dias a família Rodriguez estavam vivendo conosco em nossa paróquia. E assim iniciou a “Casa de Acolhida”, uma ideia de Deus através de seus filhos Eugênia, Khamile, Vicenzo e mais tarde o novo membro da família, Lorenzo. 

A nova configuração da casa, partiu de uma conversa com Dom Sergio Castriani, nosso arcebispo, sobre essa família e no final da conversa dom Sergio agradeceu o gesto e disse, poderia receber mais refugiados lá! Foi quando ele colocou a Caritas Arquidiocesana em contato conosco e mais tarde a Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas). A casa passou por uma adequação e desde o dia 04 de maio, está acolhendo 122 moradores, desses 57 são crianças de 0 a 10 anos, quatro gravidas e os demais são adultos, todos com alguma profissão e estão em busca de trabalho para alcançar a tão deseja integração social e autonomia. A casa conta com uma equipe técnica (coordenação interna) assumida pela Acnur através da Caritas Arquidiocesana.  Muitas coisas bonitas temos para comemorar e celebrar. Jesus, o Bom Pastor - o Providente, tem sido muito generoso para conosco. Ele tem se manifestado em muitas pessoas generosas de todas as classes e religiões (católicos, protestantes, espíritas, mormons…) e ateus. É bonito ver a fraternidade e a solidariedade se concretizando em torno a esse projeto que a nós foi confiado a missão de animá-lo e coordená-lo. 

Para garantir a presença de Jesus entre nós, pois Ele foi o idealizador desse projeto, temos encontrado com Ele no “Abandono”. Ele nos tem visitado nas dificuldades internas tanto no campo organizacional, como estrutural. Ele tem nos visitado nas resistências externas, aquele sentimento denominado por Zigmunt Bauman de “mixofobia” (o medo provocado pelo volume irrefreável do desconhecido, inconveniente, desconcertante e incontrolável). Nada que ao reconhecer, identificar que é Ele nos visitando, não seja acolhido com doçura e ternura. 

Somos muito gratos pela graça a nós concedida, sem mérito algum, de colocar em prática aquilo que nossa Igreja há anos vem nos interpelando: transformar nossas Paróquias em “Casa da Acolhida”. Que possamos ser fiéis nesse propósito. Rezem por nós e em troca nos colocamos em comunhão (Comum-união) com vocês. E se possível venha fazer parte dessa missão como voluntário: 

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

sábado, 19 de maio de 2018

Festa do Sagrado 2018

Por: Fr. Alex Assunção

Queridos irmãos e irmãs da Comunidade Sagrado Coração de Jesus,

Paz e Bem!!!

Estamos iniciando mais uma festividade do Padroeiro de nossa comunidade. O tema desse ano nos remete a dimensão da “Consolação”. Jesus é aquele que nos consola em nossas dores, frustações, debilidades e sofrimentos. Ele de fato é a fonte de toda consolação. Esse tema também nos convida a sermos Jesus para os nossos irmãos e irmãs. Precisamos urgentemente nos sentir responsáveis pelo sofrimento do Outro.

Jesus nos deixou um grande ensinamento do amor ao próximo e ao Pai. Esse amor deve caminhar junto sempre. Ninguém pode praticar o amor a Deus, sem a amar o Irmão. É Deus e o próximo! São João bem sistematizou isto em sua primeira carta: “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1 Jo 4,20). Amar, servi o irmão é ser fonte de consolação!!!

Sagrado Coração de Jesus, fonte de toda consolação nos ajude a sermos Tu para nossos irmãos. Nos ajude a termos compaixão do Outro, tira do meio de nós toda “síndrome de Pilatos”, aquele sentimento de lavar as mãos diante do sofrimento do Outro. Como bem nos interpela o Papa Francisco e que assim disse uma fala em Lampedusa, na ocasião de sua visita no dia 08 de julho de 2013: “Quantos de nós, incluindo eu mesmo, perdemos nosso rumo; não prestamos mais atenção ao mundo em que vivemos; não nos importamos; não protegemos o que Deus criou para todos; e acabamos nos tornando incapazes de cuidarmos uns dos outros!”. Que este clamor nos acompanhe nesses dias de novenário, de reflexão e celebração. E que o Sagrado Coração de Jesus nos dê um coração semelhante ao Vosso. 

Para ajudar em nossa reflexão partilho com vocês um outro texto que escrevi recentemente para enviar aos frades franciscanos, a pedido de meu superior. Esse texto nos ajudará a ver como podemos também reconhecer Jesus no outro e a sermos Jesus para o Outro.

Desejo a todos vocês, meus amigos e irmãos de caminhada uma abençoada e feliz festa 2018. 

Que Deus vos abençoe,


domingo, 29 de abril de 2018

Festa de Santa Catarina de Sena

Por: Fr. Alex Assunção

Caríssimos paroquianos,

A Paz esteja convosco!

Estamos nos aproximando de mais uma festividade da padroeira de nossa Área Missionária. Este ano nossa reflexão nos levará a refletir sobre a Paz. O tema se deve ao apelo que a Igreja nos fez por ocasião da Campanha da Fraternidade. Apesar de todo grito de Paz, a realidade de violência tem imperado em nossa sociedade brasileira e no mundo. Santa Catarina pode nos ajudar a refletirmos sobre essa realidade, mas não somente reflete sobre, mas com seu exemplo ela pode nos ajudar a darmos passos significativos na construção de uma cultura de Paz e do Bem.

Catarina oriunda de uma família pobre, que viveu em uma sociedade injusta, marcada pela violência e pela falta de políticas públicas, poderia ter sido mais uma na estatista da excludente sociedade de Sena. Porém, desde muito cedo, ela tomou uma decisão em sua vida: Queria fazer a diferença, não aceitou ser “mais uma”. O caminho escolhido foi o caminho do Evangelho, pois entendeu que “todo mal é ausência do amor” e que “nesta vida ninguém vive sem cruz”. A partir dessas duas verdades Catarina iniciou seu projeto de vida. Voltada à oração, ao silêncio e à penitência, não se consagrou em uma congregação, mas continuou, no seu cotidiano dos serviços domésticos, a servir a Cristo e Sua Igreja. Uma vez que tudo o que fazia, oferecia pela salvação das almas. Através de cartas às autoridades, embora analfabeta e de frágil constituição física, conseguia mover homens para a reconciliação e paz como um gigante.
Hoje diante das guerras promovida pela grande mídia e traçadas pelos meios de comunicação social (redes sociais), Catarina torna-se um grito de Paz. Ao contrario de seu tempo, hoje temos ao alcance de nossas mãos um instrumento fabuloso que precisa ser usado da mesma forma, como Catarina usou, quando escrevia suas cartas. Não é concebível que cristãos católicos usem as redes sociais para reproduzir o ódio fascista e defender práticas de injustiças. Temos consciência que o projeto da sociedade dominante continua sendo, de nos fazer “mais um”, a ser massa de manobra, que reproduz os gritos de injustiça, como aconteceu no passado quando condenaram Jesus de Nazaré. 
Santa Catarina de Sena mensageira da Paz nos convida a sermos instrumento de Paz, de Justiça e do Bem. E a não esquecermos que não podemos fazer isso plenamente sem o amor incondicional a Cristo Jesus, que venceu a injustiça, a dor e a morte, e a Sua Igreja, que segue com seu Projeto de construção de seu Reino aqui na terra. Pois, como dizia nossa padroeira: “Tenham a certeza de que quando eu morrer, a única causa de minha morte será meu amor pela Igreja”.

Abençoada festa a todos!